Os sete Dons do Espírito Santo

28/abr/2011 - Nenhum Comentário

10/9/2006

Quando eu fui me preparar para esta partilha, eu me dei conta de como é difícil nós compreendermos e principalmente vivermos aquilo que nos é pregado, principalmente quando falamos do Espírito Santo.

No começo da minha caminhada, ainda como ovelhinha tímida sentada no fundão, eu não fazia idéia do que era o Espírito Santo, e mesmo após alguns ensinos que foram dados eu continuava com uma idéia muito distante ainda do que Ele é e como Ele agia na minha vida. Eu achava, por exemplo, que com certeza, as servas tinham tal Espírito Santo bem maior do que o que eu tinha a Dorothy então eu achava que ela tinha o tal do Espírito Santo bem diferente do meu, porque tinha até efeitos especiais. As pessoas oravam numa língua esquisita, proclamavam curas em nome deste tal Espírito Santo, mas eu ainda não compreendia bem quem Ele era, nem como ele atuava, e ainda achava que algumas pessoas tinham mais Espírito Santo do que outras.

Na verdade eu demorei em entender as coisas de Deus, porque eu vinha no grupo de oração atrás de outra coisa. Eu vinha para cá para ver se Deus resolvia logo os problemas tão grandes que eu estava passando, para ouvir orações de cura, e quando não era proclamada a cura que eu pedia, achava que Deus não se preocupava comigo. Durante os ensinos muitas vezes eu ficava tão distraída nos meus problemas, que eu nem lembrava depois qual havia sido o tema. Às vezes eu prestava bastante atenção, principalmente quando o pregador era engraçado, ou falava bonito, mas não conseguia por em prática aquilo que era dito, eram coisas tão distantes de mim que eu achava que só as servas poderiam viver aquilo, e até achava que elas eram privilegiadas, pois não tinham nenhum problema, estavam sempre sorrindo, alegres e ainda por cima o Espírito Santo falava com elas!

O que me impedia de compreender e viver as coisas de Deus na verdade era que a minha sede, não era sede de conhecer a Deus, de experimentá-lo. A minha sede era de ser curada, consolada, paparicada. Eu não estava lá para mudar de vida, renunciar aos meus pecados, até porque eu me achava muito boazinha. Eu queria mesmo é consolo e ser um dia que nem aquelas servas que não tinham problemas e ainda falavam com o tal do Espírito Santo.

Mas num determinado momento, eu vi que alguma coisa precisava mudar na minha vida, pois as orações de cura já não me satisfaziam e eu ainda mal sabia ler a bíblia. E pela misericórdia de Deus, com ajuda de alguns livros sobre a vida dos santos, e algumas pregações eu finalmente me dei conta, de que a minha sede estava errada e por isso eu não estava sendo saciada. E o mais importante, descobriu que o meu vaso estava muito cheio de mim mesma, e que não havia espaço dentro de mim para que Deus me preenchesse.

Esta foi a melhor descoberta que eu fiz, mas também a mais doída.

Eu comecei a perceber que a única pessoa que eu podia mudar nesta vida, era a mim mesma, e não a minha irmã, o meu namorado, os meus pais, as pessoas ao meu redor que eu tanto desejava que fossem diferentes. Queria que elas fossem mais boazinhas comigo, que me compreendessem, mesmo quando eu estava de mau humor, brava. Vi que se deveria haver uma mudança, era em mim mesma.

Quando eu vi do que estava cheia, e a quanta coisa precisaria renunciar, modificar e mudar em mim mesma, Deus aí foi pouco a pouco encontrando espaço para agir em mim.

Na medida em que eu fui me dando conta de que eu sozinha não podia nada e que eu precisava urgente viver o que Deus falava através das servas, dos padres, da Palavra, aí então começou a abrir o meu entendimento sobre as coisas de Deus. E conforme eu tentava pô-las em prática, lutando contra os meus defeitos, contra o meu egoísmo, contra a minha língua que era terrível , conforme eu fui me dominando, eu fui sentindo realmente que uma força grande me amparava, me conduzia, me mostrava onde precisava mudar, eu finalmente comecei a perceber a voz do Espírito Santo dentro de mim. E quanto mais eu me calava das minhas preocupações mais eu conseguia ouvir a voz do Espírito, e quanto mais eu ouvia, mais sede eu tinha, mas agora era a sede verdadeira, aquela que Jesus fala no Evangelho de João 4,14:

“Mas quem beber da água que eu lhe darei nunca mais terá sede. Pois a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.”

Jesus, diversas vezes, prometeu que enviaria o seu Espírito para aqueles que nele cressem, e essa promessa é para todos nós.

A experiência que os apóstolos viveram em Pentecostes, é oferecida hoje também a cada um de nós.

Os habitantes de Jerusalém, que presenciaram a poderosa ação do Espírito Santo nos apóstolos em Pentecostes, com as línguas de fogo, o vento impetuoso, as diversas línguas com que eles louvavam a Deus, desejaram também participar da mesma experiência e por isso perguntaram: Podemos também nós ter a experiência da Força do Alto? Que devemos fazer para viver como vocês vivem. Como poderemos nós viver a vida de Jesus que se reflete em vocês? (At 2,37).

A resposta de Pedro foi muito simples e clara:

“Convertei-vos, e seja cada um de vós batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados; e recebereis, então, o dom do Espírito Santo. A promessa é de fato para vós, assim como para vossos filhos e para todos aqueles que estão longe, todos quantos forem chamados por Deus nosso Senhor” (At 2, 38-39)

Quem aqui é batizado? Essa promessa é para todos nós que fomos batizados e já recebemos o Espírito Santo que mora aqui dentro de nós. Ele já mora aqui no nosso coração, como disse São Paulo, “ou não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”. (ICor 3,16)

O que nós precisamos agora é esvaziar o espaço que o meu egoísmo , as minhas lamurias, preocupações , pecados ocupam para que o Espírito possa agir.

E para começar essa faxina em mim mesma, eu vou precisar só de uma coisa: Querer! Querer mudar de vida já! Querer ser alguém melhor a cada dia, o resto fica por conta do Espírito.

Ah! Vocês devem estar pensando, será? Mas como? Como o Espírito Santo vai me conduzir se eu decidir realmente mudar de vida?

Para responder isso a vocês eu vou pedir que vocês fechem os olhos agora e imaginem um barco. Um barco simples, a remo, que navega no mar, rumo a um lugar que parece bem distante… Neste mar existem muitas ondas, tempestades, correntezas (que são os nossos problemas, nossos vícios, as tentações, nossas dores…)

Este barco, por ser a remo, avança de forma muito lenta, enfrentando esta maré difícil, e custa grande esforço dos remadores.

Mas, imagina agora, que neste barco são içadas velas bem grandes que captam o sopro dos ventos favoráveis. Os remadores então encontram descanso, pois agora o barco progride de forma nova, em velocidade bem maior, em velocidade que não depende mais dos remos e sim dos ventos.

Ora, este barco somos nós! Que seguimos em direção a uma meta, qual é essa meta? O CÉU! E para chegarmos ao Céu precisamos ser o que? SANTOS.

Mas se contarmos apenas com nossas forças (os remos), dificilmente conseguiremos chegar, pois logo na primeira tempestade ou grande onda, nos cansamos, desanimamos e acabamos por desistir.

Mas se usamos as velas, que são os dons do Espírito Santo, que mora dentro de mim, seguimos e progredimos sem nos cansar e sem desanimar, pois o que nos move não são mais nossas forças, mas sim o vento do Espírito que sopra e nos conduz de forma maravilhosa!

Quando fomos batizados recebemos de presente estes dons (velas) do Espírito Santo, mas eles estão embrulhados. É preciso que eu queira abri-los e usa-los. É preciso içar essas velas.

É como uma criança recém nascida. Quando a criança nasce, ela já tem seu corpo completo, braços, pernas, cabeça, inteligência, sentidos, mas embora já tenha pernas, ainda não sabe andar, embora tenha boca, ainda não sabe falar, embora já tenha inteligência, ainda não é capaz de sobreviver sozinha. Mas sabemos que conforme for crescendo, com esforço aprendera a andar, a falar, a tomar decisões etc.

Nós já recebemos estes dons no nosso batismo, precisamos agora desembrulha-los e aprender a usá-los ao longo da nossa caminhada.

Quais são os dons do Epirito Santo?

Os dons são muitos e inesgotáveis, mas podemos definir sete dons principais que nos conduzirão a uma vida no Espírito.

Lá em Isaias 13, as escrituras nos descrevem este sete dons:

TEMOR DE DEUS

PIEDADE

CIENCIA

FORTALEZA

CONSELHO

INTELIGENCIA OU ENTENDIMENTO

SABEDORIA

A primeira vela, que devo içar com o meu querer é o dom do TEMOR DE DEUS.

O Temor de Deus é o dom que te impulsiona a rejeitar tudo o que ofende a Deus. É eu não querer desagradá-LO de forma alguma.

Com este dom o Espírito quer criar um amor tão grande, tão profundo e tão enraizado por Deus, a ponto de você se convencer de que Deus é seu maior tesouro, e que jamais deve ser trocado por coisa alguma. Nem mesmo pelo seu marido, pelos seus filhos, suas paixões ou qualquer outra coisa ou pessoa que te afaste Dele.

Por exemplo, é eu não trocar a missa por nenhum outro programa, ter o dia de ir no grupo de oração como prioridade e não marcar nenhuma consulta ou programa justo neste dia, ou deixar de ir porque está chovendo, frio, transito , porque estou com preguiça.

A segunda vela que devo içar com o meu querer é a do DOM DA PIEDADE.

É como uma jovem enamorada de seu esposo. Ela cuida Dele e de tudo o que é dele com muito zelo e carinho e está sempre declarando seu amor apaixonado por Ele.

Nós perceberemos este dom em nós na medida em que amarmos e cuidarmos com o maior zelo possível das coisas de Deus, do próximo e da Igreja, e sentiremos que o Espírito nos dará um tranqüilo domínio sobre nós mesmos.

A Próxima vela então a ser içada pelo meu querer é o DOM DA CIÊNCIA

O dom da Ciência nos ensinará a amar e admirar as criaturas de Deus de forma equilibrada.

Tornará-nos capazes de reconhecer o que nos é útil ou prejudicial.

Entendemos que as coisas criadas embora lindas, não podem sozinhas preencher nossos corações.

Passamos a olhar as criaturas, a natureza, as coisas, não para admirá-las em si mesmas, mas para ver nelas a Glória de Deus.

O Espírito nos leva a um grande desapego e liberdade diante das coisas e das pessoas.

Com esse dom nada ocupará o lugar de Deus em nossas vidas, nem o meu problema financeiro, nem meu filho rebelde, nem meu conforto, serei feliz independente das coisas e das pessoas.

A próxima vela então a ser içada será o Dom da Fortaleza.

A nossa fraqueza humana muitas vezes nos impede de progredir em nossa caminha espiritual, pois logo que aparece uma tribulação ou uma perseguição, ficamos perturbados, chocados, desorientados, as vezes até revoltados. E por causa desta nossa inconstância não conseguimos progredir na fé.

Com o dom da fortaleza, renunciamos a nossa própria força para encontrar força no Espírito e Nele sermos capazes de suportar tudo e até ter atos heróicos, não por nossas qualidades pessoais, mais pela força do Espírito que atua em nós.

Exemplo: senhoras que enviuvaram com filhos pequenos e que garantiram com heroísmo diário, não só a sobrevivência da família, mas como também a formação crista para os seus.

Um grande auxilio para abrir-se a este dom, é a Eucaristia. São Crisóstomo disse que os cristãos ao receberem a Eucaristia, tornam-se fortes como leões.

A próxima vela então será a do Dom do Conselho

Durante toda a nossa vida, nos deparamos com muitas situações que exigem de nós decisões e escolhas importantes. Muitas vezes, pelo medo e por nossa tendência natural de sermos precipitados para resolver nossos problemas, agimos de forma errada, ou nos desesperamos, pois não sabemos como agir ou escolher em determinada situação.

O Dom do Conselho vem então para nos orientar instantaneamente e de forma perfeita. Por ele o Espírito nos fala ao coração e nos faz agir sem timidez ou incerteza, mas com toda confiança e com a audácia dos Santos.

Para podermos “ouvir” este dom, é preciso que nos habituemos a nos colocarmos em oração antes de tomar qualquer decisão ou opção, antes de agir, de falar. Devemos silenciar o coração de todo o barulho do nosso egoísmo, inveja, ciúme, ou qualquer outro sentimento negativo, para podermos escutar o Senhor.

Quando nos deixamos ser orientados pelo Espírito Santo, grandes mudanças acontecem em nossas vidas, e ganhamos a paz e a calma, no lugar da inquietude e da pressa, e ganhamos a obediência no lugar da teimosia.

Depois então deste dom içaremos a vela do Dom da Inteligência ou Entendimento.

É como um estalo que nos faz compreender de repente um mistério da fé.

De um modo geral, nós temos dificuldade de compreender o pensamento de Deus contido na bíblia, porque a Palavra de Deus, para nós pecadores, é dura, pois ela corrige.

O Dom do Entendimento faz o nosso coração arder de alegria com o que nos é revelado na Palavra, da mesma forma que ardia os corações dos discípulos de Emaús, quando Jesus explicava para eles as escrituras.

O dom do entendimento é eficaz mesmo para alguém que não tenha estudo, pois não depende da nossa sabedoria humana, é um dom revelado principalmente para os pequeninos e humildes diante de Deus.

Quanto maior o amor e a intimidade da alma com Deus, maior é o dom do entendimento.

E finalmente o uso de todos estes dons nos levará a içar o Dom da Sabedoria.

Ela é um conhecimento experimentado de Deus. É saborear a Deus, provar sua presença viva em nós. Sentir o gosto de Deus.

Uma pessoa sábia não é aquela que sabe das coisas de Deus, mas a que vive as coisas de Deus. Não é a que fala de Deus, mas a que contempla Deus.

Exemplo da maçã. Assim é com Deus, por mais que te falem dele, ou que você leia e estude você só vai experimentá-lo através do Espírito Santo com o dom da sabedoria dado por ele mesmo.

O dom da Sabedoria te faz provar e saborear quão suave e doce é o Senhor. “Provai e vede quão suave é o Senhor, feliz quem encontra nele o seu refúgio”.

Se começarmos a ter um contato diário com o Espírito Santo através da oração, do estudo da Palavra, pela santa Missa, e com firme vontade de ter uma mudança de vida, os dons virão à tona, você perceberá a ação do Santo Espírito em sua vida e uma mudança no seu coração. Você vai experimentar o gosto das coisas de Deus, a alegria e o gozo das coisas espirituais e da fé.


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