4/7/2007
Quantos de nós já ouviu e repetiu a seguinte frase:
“Sangue de Jesus tem poder!”
Essa é uma frase muito verdadeira, mas que infelizmente para algumas pessoas é carregada de um profundo misticismo e superstição.
O Sangue de Jesus tem poder sim, mas é um poder instituído pelo Pai e conquistado por Jesus no seu sacrifício na cruz. Para entendermos o significado de tudo isso, antes devemos entender duas coisas.
Em primeiro lugar a importância do sangue para os serem humanos. O Sangue é o sinal vital de toda pessoa. O sistema cardiovascular é o primeiro a se formar após a fecundação, pois é ele quem vai possibilitar que a criança cresça e se desenvolva no ventre materno. Por conta disso, o sangue carrega a vida nele, e nesse caso que estamos falando, a própria vida de Jesus. Na Palavra encontramos esse significado. Levítico 17,11 – “Pois a alma da carne está no sangue”
Em segundo lugar, vamos nos adentrar um pouco o Antigo Testamento e entender qual era o significado dos sacrifícios para o povo de Deus.
Lembremos do início dos tempos quando o homem criou a mulher e os colocou no paraíso, vivendo em perfeita comunhão com Ele. Pois bem, pela tentação da serpente Eva leva Adão a provar do fruto proibido, o fruto que os levaria a ter o conhecimento, ou seja, eles foram tentados a serem iguais a Deus! Nesse momento o pecado entra na humanidade, eles são expulsos do paraíso, e todo homem já nasce com a marca do pecado de Adão.
No entanto, Deus nunca desistiu de sua criação, enviou diversos profetas para alertar os homens em relação ao caminho correto a seguir, nos enviou sua Lei através de Moisés e tantos outros sinais.
O homem pecador tornando-se impuro, sempre se utilizou de sacrifícios de sangue de animais perfeitos, para se redimir perante Deus. Durante todo o Antigo Testamento, notamos diversas passagens na Bíblia onde encontramos relatos desses sacrifícios. O sangue que contém a vida, sempre foi derramado em honra a Deus pela expiação dos pecados do povo.
No entanto, é importante lembrar, que nessa época, somente os Sacerdotes podiam oferecer tais sacrifícios. Havia um dia específico no ano, em que ele entrava no Tempo com os animais, e ia até o Santo dos Santos, onde apenas ele podia entrar. Aí, diante de Deus, ele oferecia o sangue daqueles animais e os pecados estariam perdoados. Ou seja, aquele sacrifício era imperfeito, não era definitivo, todo ano deveria ser renovado.
Êxodo 30,10 – “Uma vez por ano, Aarão fará a expiação sobre os cornos do altar. Com o sangue da vítima pelo pecado, fará a expiação uma vez por ano, em todas as gerações futuras. Esse altar será uma coisa santíssima, consagrada ao Senhor.”
Ora, analisando isso, percebemos que o homem por si só não poderia se salvar, não poderia estar livre dos seus pecados. Ele sendo pecador não poderia sequer se oferecer ele próprio em sacrifício a Deus. O seu sangue seria impuro e indigno, justamente por causa do pecado.
Pois bem, em um ato supremo de amor, decide se tornar homem, igual a nós em tudo, exceto pelo pecado. Deus faz isso e envia seu filho único, Jesus Cristo, para ser o sacrifício perfeito e definitivo. Ele envia seu Filho para derramar um sangue precioso, que vale muito mais que todos os sacrifícios que já haviam sido feitos e oferecidos pelos sacerdotes.
Cristo é uma oferenda de valor infinito pois é Deus feito homem. E Ele fez isso somente porque nos ama, porque queria nos ver livres do pecado.
O Sangue de Jesus é precioso porque vem do próprio Pai e consequentemente é livre do pecado de Adão, que é transmitido a todo ser humano. Tendo sido concebido através do Espírito Santo, Jesus é livre do pecado e se torna o Cordeiro perfeito para ser imolado.
Entendendo agora a preciosidade desse Sangue e também a motivação desse sacrifício, devemos tomar posse do poder desse Sangue em nossas vidas. Nós somos preciosos para Deus, senão não mereceríamos tamanha demonstração de amor. A Palavra nos mostra o valor desse sacrifício.
(I São Pedro 1,18) – “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo,”
Pense bem, agora nós podemos entrar no Santo dos Santos, podemos estar diante de Deus sem nenhum intermediário porque Jesus nos propiciou isso. Jesus nos comprou com Seu Sangue, Ele se apresentou ao Pai com o Seu próprio Sangue e não com o sangue de animais, e o Pai aceitou essa oferta por cada um de nós. Ou seja, o Sangue de Jesus derramado na cruz selou a Nova Aliança do povo com Deus! A Nova e eterna aliança.
(Hebreus 9,12-14) – “sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna. Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?”
O Sangue de Jesus que foi derramado na cruz até sua última gota, continua jorrando sobre nós, basta que pela fé, tomemos posse dele em nossas vidas.
Tomar posse do Sangue é clamar por Seu poder. Quando clamamos pelo Sangue de Jesus, mostramos nossa confiança na misericórdia de Deus, demonstramos a Ele que acreditamos na nossa salvação através da morte de Seu Filho Amado.
Que triste deve ser para o nosso Deus perceber que nós não damos importância ou mesmo que não tomamos posse desse poder em nossas vidas. Cada vez que demonstramos nossa fé e confiança nesse poder, acalentamos o coração do nosso Deus que ficou apertado ao ver Seu Filho abandonado na cruz, coberto com Seu Sangue para nos salvar.
Com Sua morte, Jesus redimiu os pecados de toda a humanidade, inclusive os meus e os seus pecados, ou seja, Seu sacrifício tem valor hoje, seu Sangue poderoso tem poder hoje na sua vida.
Deus odeia o pecado porque impede que Ele se aproxime dos seus filhos amados. O próprio Jesus quando carregou todo o pecado da humanidade sobre si na cruz, ficou completamente abandonado, pois o Pai não podia se aproximar d’Ele.
Deus odeia o pecado e ama o pecador, porque reconhece cada um de nós que está por trás da máscara horrível que nos deforma, assim como reconhecia Seu Filho Amado por trás de toda aquela máscara de pecado que o cobria na cruz.
Morrendo na cruz, Jesus se entrega por nós e cumpre Sua missão, derrama até Sua última gota de Sangue e nos liberta.
Jesus sobe ao Pai e se apresenta, assim como os sacerdotes se apresentavam, e se oferece por cada um de nós. E o sacrifício foi aceito!
Esse derramamento de Sangue destruiu o poder do mal, fez com que os demônios voltassem para o inferno e inaugurou uma nova era para o povo de Deus, uma nova aliança sem barreiras entre os filhos e o Pai.
Sendo assim, esse Sangue tem o poder de nos proteger do mal, das investidas do demônio. Esse Sangue clamado com fé sobre nós nos faz vitoriosos. Ap 12,11 –“ Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho.”. Ou seja, vencedores pelo Sangue de Jesus e pela Palavra de Deus.
Assim como tomamos um remédio em doses maiores ou menores para enfermidades físicas, o Sangue de Jesus também deve ser clamado na medida da nossa necessidade.
Deseje ser coberto pelo Sangue de Jesus em uma situação difícil, clame esse Sangue sobre sua casa, seu carro, o avião em uma viagem, seu escritório, seus filhos, os médicos que tratam de você ou de algum ente querido, e tantas outras coisas. Se aprendermos a clamar por esse Sangue com fé, estaremos protegidos das ciladas do mal e seremos fortes diante das tentações que nos levam a pecar.
Tudo o que vimos até agora é muito maravilhoso, mas não podemos esquecer ainda do maior tesouro de nossa fé. A presença desse Sangue também na Eucaristia, que é o CORPO, SANGUE, ALMA e DIVINDADE de Jesus. Ou seja, quando comungamos recebemos o Sangue de Jesus.
Jesus quando morre na cruz e é ferido pelo soldado com a espada, de seu coração jorram água e sangue. A água símbolo do batismo e o Sangue símbolo da Eucaristia. Ali nascia a Igreja, ali nasciam os sacramentos.
Jesus ao instituir a Eucaristia na Ceia com os Doze Apóstolos, na véspera da Sua Paixão, pede que aquele ato seja feito em memória do Seu Sacrifício, da Sua doação suprema.
São Mateus 26,28 – “porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.” Jesus deixou claro que o Seu Corpo e Sangue seriam a vida para nós.
São João 6,53 – “Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.”
E essa presença do verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia só pode ser descoberto pela fé, como dizia São Tomás. Ou então nas palavras de São Cirilo: “Não perguntes se ou não verdade; aceita com fé as palavras do Senhor, porque ele, que é a verdade, não mente.”
Ou seja, quando comungamos estamos nos revestindo do próprio Jesus, estamos recebendo Seu Corpo e Sangue, estamos nos tornando um só com Ele.
Fontes: Riquezas da Mensagem Cristã – d.Cirilo Folch Gomes o.s.b. O Sangue fala – Larry Huggins Site do Vaticano Tradução de The Bible has the answer – Henry Morris e Martin Clark Site World Challenge Pulpit Series – David Wilkerson Catecismo da Igreja Católica.